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LIDERAR É ATREVER-SE A MORRER

Paulo Monteiro


Essa frase é defendida por um grande estudioso e consultor de liderança, Ronald Heifetz, da Escola JFK de Harvard. Ela traz uma das essências do que é liderar, algo muito pouco mencionado pela maioria dos autores, professores e “especialistas” no tema: a liderança exige a predisposição de estar exposto ao risco, de sair do espaço estreito, já conhecido, ou do conforto do politicamente correto, para ir à área de perigo.

Em qualquer sistema há o momento de desafiar os pressupostos, trazer as questões candentes que ninguém quer tocar porque “dá trabalho”; mas é essa tensão necessária que vai gerar crescimento e adaptação.

E estar disposto a “morrer” tem essa conotação metafórica de perder a segurança, o prazer do conforto e o orgulho do prestigio, para provocar a evolução, levar o sistema ao desafio que está chamado, questionando o status quo, por uma causa maior que vale a pena. A própria palavra “liderar” em inglês, “to lead” tem uma raiz semântica que significa “avançar/morrer”.

Esse é o caminho universal do crescimento, morrer à universos conhecidos, crenças, atitudes e compromissos confortáveis e socialmente seguros, para renascer a uma existência mais autêntica, significativa, e carregada de frutos e de um grande legado.

Mas o conceito de Liderança se esvaziou, vem povoando os milhares de livros “fast food” com visões românticas ou com receitas de bolo de “como ser o líder contemporâneo” (leia o livro e você saberá...). O significado de Liderança foi atrelado ao “sucesso” no sentido dos resultados econômicos ou na contabilidade de quantas pessoas te seguem. Nada mais parcial do que seria uma visão ampla e justa da arte (e vocação) de liderar.

Se você tem oportunidades de trazer questões necessárias à mesa, elevar a temperatura para obter um resultado adaptativo melhor, e não faz por medo do que possa acontecer, é porque você ainda não se atreveu a liderar.

Mas a boa notícia é que há muitas pessoas nesse momento, em sua maioria anônimas, que preferem o risco e a “morte” de seu ego defensivo, para expor-se ao perigo que exige a causa maior, movidas pelo propósito de transformar o sistema no qual estão inseridos. São pessoas que preferem encarnar a cor-agem - o “agir com o coração” - a “ficar bem na fita” com quem convivem. São esses indivíduos que estão transformando seu ambiente, sua empresa, a sociedade onde estão inseridos, e são eles que atravessam a zona de risco com a satisfação de saber que valeu a pena.

Fecho essa pequena reflexão com um pensamento do grande Albert Camus: “razões para viver são também excelentes razões para morrer".

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