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UM MUNDO ALÉM DAS DIFERENÇAS

Paulo Monteiro


O mundo ocidental sempre pareceu gostar de polaridades. O iluminismo coroou essa preferência a partir de uma pretensa “revolução” de idéias aonde a razão é a grande força geradora de tudo o que tem valor. Essa etapa da história só reforçou um maniqueísmo que já existia no mundo ocidental. O saber, o conhecer, o experimentar, eram parte do mundo das luzes, e o erro, a ignorância, a dúvida, compunha o mundo das trevas, da escuridão. Virtude/vicio, corpo/alma, matéria/espírito, bom/mal etc são polaridades que fizeram e fazem parte do mundo de significados do ocidente.

Além dessa separação de opostos vistos como contrários e muitas vezes incompatíveis, o pensamento modernista ocidental “separou” a realidade para compreendê-la melhor. O que sempre existiu junto passou a ser separado em partes autônomas, assim o todo virou coleção de partes, o conhecimento se pulverizou em mini partículas de “especialização técnica”, e a realidade passou a compor coleções de ilhas independentes. O mundo da separação contribuiu para que indivíduos, sociedades, culturas, e inclusive idéias, passassem a ser universos distintos, muitas vezes, irreconciliáveis.

Mas paradoxalmente a historia foi mostrando que a separação não se sustenta, o que vemos num mundo aonde a globalização e interconexão são realidades incontestáveis. Em pleno século XXI o Planeta está marcado pela integração; os muros e as fronteiras caíram, os sistemas ideológicos colapsaram e com eles alguns dogmas perderam sua força inicial. Até uma “crise” que tem origem em um país, se irradia de tal forma, que em meses, países dos cinco continentes estão impactados por suas conseqüências.

No mundo da interconexão, do que “existe junto”, pensar binariamente buscando entender a realidade como sim/não, verdade/engano, certo/errado, se mostra no mínimo inadequado. Habitamos o mundo do instantâneo e do multi cultural, da transdisciplinaridade, da diversidade, do sincretismo de crenças e valores, do sistêmico e, sobretudo, da complexidade. Diferenças e polaridades sempre existirão, a sabedoria está em como trata-las transcendendo os extremos para ver o todo, e aproveitar a dinâmica do movimento “entre” e “além” delas. A era em que vivemos nos traz o desafio da “dia-lógica”, aonde varias lógicas estejam ligadas em uma mesma unidade.

É preciso, portanto, um novo olhar, uma nova atitude, uma Nova Inteligência, capaz de integrar as partes em um todo maior, uma maneira de pensar que acolha as diferenças e proponha uma saudável “dança” entre o que é múltiplo, uma habilidade que una os pólos e as distintas formas de ver a realidade, em uma unidade significativa.

Esse é o momento para a área de Gestão com Pessoas evoluir junto a esse novo olhar. O desafio atual das organizações demanda a integração entre aparentes dualidades como curto prazo/qualidade, cliente/público interno, crescimento/desenvolvimento humano, tecnologia/pessoas, lucro/ sustentabilidade e tantos outros que marcam o cotidiano do universo organizacional. Nossa era demanda um perfil de Gestor-Líder que busque a convergência a partir das diferenças, que administre polaridades aparentemente excludentes, que integre as diversas partes e identidades num todo que faça sentido e que gere resultados perenes.

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